Comunicações

Sessão 1: 09:30 / 11:30 
Sessão 2: 13:30 /15:30 
Sessão 3:16:00 /18:00 

GT1 – Narrativas sequenciais na História, Ciências Sociais e Humanidades

Coordenação: Thiago Bernardo (doutorando)/Jefferson Lima (mestrando)

Sessão 01

1. Paisagens de um sentimento de crise: Batman, política e cultura no final do Século XX. – Thiago Monteiro Bernardo

Este trabalho propõe uma forma de teorização a respeito das representações de crises morais e sociais nos Estados Unidos do final do século XX através da Graphic Novel Batman: Gritos na Noite (Batman: Night Cries), publicada em 1992, cuja tópica central gira em torno da pedofilia e dos limites tanto do estado quanto do vigilantismo em garantir segurança e justiça. O herói é imposto a um dilema moral sobre os limites de sua capacidade de atuação, confrontando-se com as vítimas de uma violência que ele não consegue impedir e com as fronteiras sobre o que é justo, moral e eticamente aceitável em uma sociedade que não consegue assegurar a segurança de seu próprio futuro, representado na infância do presente. Observamos como a temática da queda moral e social produzem um jogo dinâmico de diferentes valores e contra-valores que revelam um sentimento de anomia. Uma representação de crise moral, cujas raízes se alimentam do pensamento religioso cristão e da cultura política dos EUA. na qual os ideais que sustentam a noção de civilização ocidental esvaziados de significados, se tornam insignificantes, sendo postos em conflitos contra si mesmos.

2. Humor Gráfico e ditaduras recentes do Cone Sul: um estado da questão – Priscila Pereira

Neste trabalho, pretende-se apresentar o estado da questão dos estudos que versam sobre a relação entre humor gráfico e ditaduras recentes no Cone Sul. O objetivo é oferecer um mapeamento tanto das pesquisas existentes sobre o tema, como sobre as principais publicações humorísticas do período. Neste último aspecto, destacarei alguns nomes de pessoas ligadas ao universo do humor gráfico (cartunistas, editores, historietistas), assim como dos personagens e séries mais emblemáticos. O foco serão as publicações humorísticas que tiveram uma postura editorial claramente oposta à diretriz político-ideológica dos governos militares, ou pelo menos, que viveram o fenômeno do terror e do recrusdecimento da violência política na sociedade de maneira ambígua e conflituosa.

É preciso ressaltar que sobre a relação entre humor gráfico e ditaduras recentes no Cone Sul ainda se sabe muito pouco. À exceção de publicações como O Pasquim (caso brasileiro) e Hum® (caso argentino), permanecem amplas lacunas e silêncios sobre estes desenhos que, ainda com restrição, circularam em contextos de repressão e violência desmedida. O objetivo desta comunicação é trazer à luz algumas destas histórias, redimensionado o significado histórico-cultural destas narrativas visuais.

3. Da Heroína à Super Mulher: a invasão feminina nos quadrinhos norte-americanos de aventura e super-aventura nas décadas de 30 e 40 – Natania Nogueira

O universo das histórias em quadrinhos está repleto de representações de gênero. No caso das mocinhas e, posteriormente, heroínas e super-heroínas, estas representações assumem um papel significativo nas décadas de 1930 e 1940, em meio a crises e guerra, que alteraram não apenas o cotidiano das mulheres mas contribuiu, também, para o surgimento de novas representações do feminino.A presente pesquisa busca analisar este fenômeno, que culmina com o surgimento das super-mulheres nas revistas em quadrinhos norte-americanas e que se espalhou por várias partes do mundo criando ícones da cultura de massa que estão presentes ainda nos dias atuais.

Sessão 2

4. Expressões artísticas africanas e Educação: Discussões sobre arte e estética africanas a partir de histórias em quadrinhos – Sabrina da Paixão Brésio

Como parte da pesquisa de Iniciação Científica desenvolvida no departamento de História da Universidade de São Paulo, iremos analisar como as formas artísticas e estéticas africanas aparecem representadas nos títulos Quilombo Orum Aiê (André Diniz, 2010), e Palmares a luta pela liberdade (Eduardo Vetillo, 2009), e como estes quadrinhos podem ser ponto de apoio para a discussão acerca do que se denomina Arte e Cultura de matrizes africanas no ambiente escolar. Buscaremos verificar como, através dos títulos estudados, é possível levantar discussões acerca da produção artística do continente africano, e de sua influencia na cultura brasileira através de elementos da estatutária e máscaras, adereços, escarificações e demais elementos culturais que aparecem representados nos quadrinhos. O objetivo é demonstrar como no ambiente escolar, nas disciplinas de História e/ou Artes, os quadrinhos citados podem contribuir para a discussão acerca das produções artísticas desenvolvidas nas diferentes regiões do continente africano e suas influências na cultura brasileira, bem como debates acerca de suas características e peculiaridades, diferentes da concepção artística ocidental europeia. É necessário que se leve em consideração que o “artista africano se orienta a partir de outros referenciais” (Silva, 2006: 26) e que o conceito de arte africana se corresponde com elementos coletivos, grupais, sugerindo conceitos captáveis pela comunidade na qual a obra se insere, e que ocupa importante papel na Diáspora, como elemento distintivo de nações africanas. É tempo de se tratar da arte e da cultura de matriz africana de modo aberto e franco na Educação, retirando-as do patamar reduzido dos “Gabinetes de Curiosidades” dos “povos bárbaros” no qual foi posta há muito pelo europeu colonizador, e a linguagem dos quadrinhos contribui nesta discussão.

5. Aya de Yopougon e a Historiografia Africanista das Mulheres: diálogos entre leituras heterogêneas – Júlio Nunes Sandes Martins

A abertura da ciência histórica para o diálogo com as outras ciências humanas levou a um intenso processo de revisão conceitual por parte dos historiadores, que passaram a contar com um arsenal muito mais rico de ferramentas através das quais poderiam analisar o passado. Tal importação teórico-metodológica permite que consideremos as histórias em quadrinhos como objeto viável de pesquisa histórica, tanto como testemunho sobre certo momento histórico quanto como discurso sobre a História. Este trabalho parte da análise do primeiro volume da HQ franco-marfinense “Aya de Yopougon” e busca demonstrar algumas possibilidades de utilização das personagens e das relações representadas em tal obra para questionar a lacuna existente na historiografia africanista no que tange às mulheres africanas, e o que tem sido feito com o objetivo de preenchê-la.

6. O “edifício” da memória – Rodrigo Aparecido de Araújo Pedroso 

Este artigo é uma análise da história em quadrinhos “O edifício”, escrita e desenhada pelo cartunista Will Eisner e publicada em 1989, que trata de duas questões centrais: a ideia da memória e a da preservação desta por meio dos chamados patrimônios históricos. Esta HQ se mostra uma obra de excepcional qualidade ao lidar com os temas acima referidos, e apresenta por meio de uma narrativa bem elaborada e dinâmica a importância que determinados objetos podem ter na formação da memória, seja ela individual ou coletiva. Nesta história em quadrinhos o autor se propôs a representar a vida e o cotidiano de quatro personagens fictícios e sua interação com um edifício. A vida de cada um dos personagens chega ao fim junto com o este, que é demolido e substituído por um arranha-céu “moderno” de aço e vidro. Este processo de interação entre indivíduos e objetos da paisagem urbana na construção de uma memória não é um fenômeno restrito ao passado ou a gerações passadas, isto é algo que ocorre frequentemente, e sempre que um novo objeto é introduzido na cidade inicia-se esse processo de constante apropriação. Onde novos patrimônios históricos podem ser criados, assim como ilustra a última página da história em quadrinhos “O edifício”, onde vemos novos personagens estabelecendo relações com o novo edifício, em uma espécie de recomeço.

7. Cinderalla e o sublime kantiano – Fabio Mourilhe

Este trabalho apresenta uma análise do mangá “Cinderalla” de Junko Mizuno tendo em vista as principais conceituações apresentadas por Kant na “Crítica da faculdade do juízo” relacionadas ao sentimento de sublime. A estética de “Cinderalla” parece apontar para um processo de articulação de forças de atração e repulsão, a partir do qual podemos pensar em uma analogia com o movimento do ânimo ligado ao ajuizamento do objeto, no caso do sublime. Contudo, considerando as representações gráficas presentes em “Cinderalla”, temos a possibilidade de levar o ânimo a ultrapassar a medida dos sentidos, onde a razão tentará encontrar uma finalidade que justifique a existência destes objetos.

 Sessão 3

8. História e Quadrinhos: considerações sobre o conhecimento histórico na arte sequencial – Selma de Fátima Bonifácio Colodel

O presente artigo procura analisar a presença do conhecimento histórico nas históriasem quadrinhos. Paratanto, fundamenta-se nas construções do pesquisador alemão Jörn Rüsen (1938-  ), que concebe o conhecimento histórico como um atributo do sujeito em sua vida cotidiana. As ações e relações construídas no tempo são, a todo momento, significadas e re-significadas, de forma constante e dinâmica. Compreende-se, assim, que o conhecimento histórico circula socialmente, sob diferentes formas, inclusive por meios da mídia e linguagens comunicacionais. Nesse aspecto, busca-se identificar possíveis alterações ocorridas com o conhecimento, ao passar da linguagem textual/acadêmica à linguagem quadrinhística, que possuem características específicas e distintas. Analisar-se-á obras como “ Lampião… era o cavalo do tempo atrás da besta da vida”, de Klévisson Vianna “História de Curitiba em quadrinhos”, “Subversivos: a luta contra a ditadura militar no Brasil” (2001), de André Diniz , “Ato5”de André Diniz e José Aguiar, além da Coleção “Você sabia?”, de Maurício de Sousa. A partir dessas, e de outras obras, objetiva-se a reflexão acerca da presença do conhecimento histórico que tem perpassado pelos quadrinhos e chegado, assim, ao público leitor, possivelmente, formando opiniões e propiciando a construção de outras concepções históricas.

9. A Saudade de José: uma experiência de história e narrativa sequencial ilustrada. – Cristina Helou Gomide/Gazy Andraus

Pesquisadora e educadora, Gomide, em parceria com Andraus que também defende um ensino criativo e menos estritamente tecnicista, percebendo a necessidade de divulgar as idéias sobre como transformar o conhecimento produzido na academia em processo construtivo do saber, expõem um texto aliado à imagética abordando a história da transferência da capital da Cidade de Goiás para Goiânia no início da década de 1930, período da “Revolução de 1930 no Brasil”.  Este projeto é fruto de pesquisas realizadas no mestrado em história de Gomide, idealizadora do projeto, na UFG, e volta-se à divulgação de uma experiência com ação conjunta entre ela e um autor de quadrinhos. Ambos entendem que o processo de construção do saber se dá de diversas formas, e uma delas, a da narrativa imagética seqüencial, reforça a atenção criativa do hemisfério cerebral direito dos que entram em contato com desenhos, sendo tal texto não só abordador da história como transmissor de emoção e reflexão através das imagens da personagem José, que delibera e partilha ao leitor suas memórias do período em que se viu obrigado a mudar com seus pais quando da transferência da Capital de Goiás. A arte e desenhos de algumas páginas se assemelham às de histórias em quadrinhos cujo potencial imagético é perfeito para a união da narrativa textual histórico-fictícia. Este conto, oriundo das reflexões elaboradas durante o período de1997 a2001, no processo de pesquisas realizadas por Gomide, trata de investigar os sentimentos das pessoas que ficaram na antiga capital após a transferência da mesma para outro espaço. Justamente, em função de tais inquietações como educadora, a autora convidou o pesquisador e autor Andraus a ilustrar tal conto semelhante a um livro ou álbum ilustrado sequencialmente. Como educadores e produtores de história, bem como amantes dos quadrinhos, resolvemos assim produzir algo que pudesse aguçar a imaginação de leitores diversos, não nos preocupando somente com o meio acadêmico, já repleto de conhecimento científico, acreditando que a produção do conhecimento deve atingir todas as camadas da sociedade, inclusive pessoas ditas não intelectuais ou não escolarizadas. Por fim, o texto imagético ainda carece de publicação, o que nos motiva a divulgá-lo academicamente e a que incentive pesquisadores, alunos e editoras a ampliarem seu leque no que tange à ficção documental.

10. Quadros e cartas – relações entre os leitores e os quadrinhos, o caso da revista Chiclete com Banana – JeffersonLima

Pensar os quadrinhos apenas como um conjunto de imagens e texto é, de certa maneira, uma visão muito simplista das várias possibilidades de análise que este objeto nos proporciona. Podemos, por exemplo, nos debruçar sobre os diferentes suportes – indo dos quadrinhos impressos em papel jornal (como os Mangás ou os quadrinhos Undergrounds) até os arquivos de leitura digital – mercado dos quadrinhos, discussões sobre autoria x editoração, ou seja, encontraríamos pra uma vida, ou mais, e muitos multiversos. No entanto a preocupação principal, que permeia este artigo, é a de mapear, ainda que brevemente, quais são as formas de apropriação feita pelos leitores. Mais especificamente como podemos averiguar à relação entre leitor/objeto, dentro das Hqs (Histórias em Quadrinhos), pela seção de cartas presentes em grande parte das publicações em Quadrinhos. Seria leviano pensar que é possível rastrear todos os caminhos possíveis. entre o leitor e o objeto, entraríamos aqui numa discussão sem fim. No entanto é possível, sim, compreender fragmentos e apropriações, feitas pelos leitores, e como as mesmas aparecem de maneira clara em alguns espaços das revistas em quadrinhos. Como estudo de caso utilizaremos a revista Chiclete com Banana, que fora publicada de meados da década de 1980 ao início da década de 1990, e fora uma das vertentes do quadrinho underground brasileiro.

GT2 – Cultura, política e ideologias nos quadrinhos

Coordenação: Dr. Iuri Andréas Reblin

Sessão 1

1. Anos Dourados: A Mulher-Maravilha e o papel da mulher norte-americana durante a 2º Guerra Mundial – Sharmaine Pereira Caixeta

Os grandes meios de comunicação se transformaram em uma eficaz ferramenta de propaganda ideológica ao longo do século XX. As histórias em quadrinhos norte-americanas, publicadas em larga escala a partir da década de 30, contribuíram consideravelmente na disseminação de um nacionalismo ufanista durante um período de grande impasse econômico provocado pela crise de1929. AMulher-Maravilha, a primeira heroína a ser sucesso de vendas, foi produto de uma mitologia aliada à preceitos feministas e um momento histórico oportuno. A Segunda Guerra Mundial, marcada pela participação direta dos Estados Unidos, provocou profundas mudanças sociais destacando-se o papel da mulher no conflito, representado pela princesa amazona, símbolo maior da liberdade e justiça. O trabalho tem como proposta estimular o pensamento crítico a respeito da influência das mídias não convencionais como formadoras de opinião e ainda traçar um paralelo entre personagem e representação da nova mulher americana na Segunda Guerra Mundial.

2. “Maus”: memória e representação do anti-semitismo  alemão na história em quadrinhos (1938-1943) – Maria de Fátima Hanaque Campos/Gledson Silva

O anti-semitismo em seu sentido lato de preconceito ou ódio aos judeus foi e tem sido alvo de múltiplas análises ao longo da história, sob diferentes representações. Analisaremos representações de anti-semitismo na H.Q. “Maus”, no período 1938-1943.  Nesse quadrinho, o criador    Art   Spiegelman  caracterizou diferentes grupos étnicos, através das várias espécies de animais. A escolha por representar os judeus enquanto ratos estão diretamente relacionados com a propaganda nazista que os colocam como animais, subjugados e estigmatizados. O uso de representação de animais humanizados é uma técnica recorrente em desenhos animados, a exemplo do personagem Mickey Mouse,  além de ser bem difundida nas   tiras de HQ. As fontes utilizadas foram bibliográficas e iconográficas e buscou-se compreender alguns conceitos pertinentes, como  memória e história, raça e representação com quadrinhos, no campo da história política e cultural, no qual se insere a pesquisa. Como resultados o estudo do anti-semitismo nos quadrinhos permitiu destacar valores nazistas  como ódio, preconceito e intolerância, os quais ainda permeiam a sociedade pós-moderna.

3. A cruzada anticomunista nas Histórias em quadrinhos – Márcio dos Santos Rodrigues

O objetivo deste trabalho é o de compreender em que medida as formas narrativas construídas através da linguagem das Histórias em Quadrinhos participaram na produção/conformação de visões e divisões de mundo acerca do Anticomunismo, nas primeiras décadas do período tradicionalmente conhecido como Guerra Fria. Para tanto, tomamos como objeto de reflexão duas Histórias em Quadrinhos: Is this Tomorrow: America Under Communism, de 1947, e Two Face of Communism, de 1961. Ambas, financiadas e distribuídas em larga escala por organizações cristãs norte-americanas (a primeira pela Catechetical Guild Educational Society e “Two Face…” pela Christian Anti-Communism Crusade of Houston), tinham como intenção política propagandear aquilo que seus idealizadores interpretavam como sendo o “perigo vermelho” – não apenas nos Estados Unidos, mas em outros países. Tratamos aqui da oposição entre o cristianismo e a ideologia comunista, reforçada e veiculada por meio dessas produções. Em termos teórico-metodológicos, consideramos duas premissas caras à chamada História Social da Linguagem: a de que a linguagem expressa o social e, ao mesmo tempo, procura moldá-lo.

Sessão 2

4. Uma visão psicanalítica dos quadrinhos: o olhar sobre a mulher em All you need is love –  Emília Teles da Silva

Este artigo é sobre a representação da mulher no caso específico da história em quadrinhos All you need is love, de Fábio Moon, escrita em 2003 e publicada na coletânea Crítica, de 2004. Faremos uma comparação entre a imagem da mulher nesta história,  em Pinocchia(de Gibrat) e nos livros de Milo Manara. Este artigo terá como referência os escritos de Laura Mulvey (que utilizou a psicanálise para analisar a representação da mulher no cinema), de Edgar Morin, de Alain Bergala e de Roland Barthes. O objetivo é mostrar que, assim como determinados filmes, alguns quadrinhos representam a mulher como objeto erótico. Para tanto, serão utilizados os conceitos descopophilia (o prazer em contemplar), voyeurismo (a questão do espectador/leitor), fetichismo e sadismo (para explicar os diferentes modos com os quais o homem lida com a mulher que ele deseja e pela qual se sente ameaçado), diegese e espetáculo (a questão da transparência da narrativa). Será abordada ainda a divisão de papéis por gênero (o homem como contemplador e a mulher como contemplada; o homem como aquele que age, a mulher como a razão pela ação). Falaremos da questão da identificação do leitor/ espectador com o protagonista. Por fim, exploraremos um pouco mais a questão da exibição do corpo feminino nos quadrinhos, utilizando os textos de Wendy McElroy para fazer um contraponto à visão de Laura Mulvey.

5. Fun Home: A Representação de Gênero e Sexualidade na HQ – Aline de Alvarenga Zouvi

Este trabalho propõe o estudo da HQ Fun Home: Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel, analisando o modo como a autora expressa, em sua narrativa autobiográfica, a sua vivência em uma família conservadora nos anos sessenta, desvendando segredos e interpretando os comportamentos de seus pais (descobrindo, mais tarde, a homossexualidade de seu pai e avaliando a frustração profissional de sua mãe), culminando nos anos oitenta, nos quais descobre a sua própria homossexualidade e se inicia no universo gay por meio da literatura e do envolvimento com o feminismo. O objetivo deste trabalho é procurar identificar o modo como Alison Bechdel aborda os papéis feminino e masculino nos quadrinhos, por meio de si própria como jovem, politizada e lésbica – sempre deixando clara a sua admiração, desde pequena, pelo que o masculino representa –, e também por meio de seus pais – seja por sua mãe, cujas ambições foram desmanteladas pela vida no lar, ou seu pai, cuja delicadeza e cuidado femininos culminam em obsessão por limpeza e manutenção da casa dos Bechdel, assim como seus móveis e objetos antigos.

6. A representação do jornalista nas histórias em quadrinhos: mito e subversão em Transmetropolitan – Alexandro Carlos de Borges Souza

Os jornalistas, como comunidade interpretativa, ou tribo, se definem por meio de traços sociais e pelo domínio de saberes práticos que permitem a reivindicação de um campo profissional específico. Esta cultura jornalística também é rica em mitos e representações sociais que buscam legitimar o papel desempenhado pelo jornalista na sociedade. Mitos estes que muitas vezes mascaram a realidade profissional. Nascidos dos jornais, os quadrinhos modernos têm tradição na representação de jornalistas como personagens. Esta representação geralmente reforça a imagem profissional contida no mito. Porém, nos quadrinhos cyberpunks, que constroem uma visão distópica e crítica da sociedade cibercultural, esta representação se preocuparia em problematizar esses mitos.

7. Cinematográfico e mais além: A influência das histórias em quadrinhos na obra de Frederico Fellini – Maria Jaciara de Azeredo Oliveira

Destaca a força das histórias em quadrinhos na obra cinematográfica de Frederico Fellini e levanta hipóteses de como se deu o processo da construção do olhar do menino que viveu na Itália fascista por meio da leitura das tiras cômicas e posteriormente dos quadrinhos de aventura de Flash Gordon. Para isso pretende apontar em que sentido essas leituras se apresentaram como um “admirável mundo novo” no qual em primeiro momento a comicidade e em seguida o mundo fantástico de Alex Raymond se revelam como alternativas ao cotidiano repressor. Nesta perspectiva a narrativa quadrinística se apresenta como auxiliar na construção de uma mentalidade na qual o individuo consiga enxergar as múltiplas possibilidades que existem de interpretar a realidade. Um estudo que pretende mostrar o quanto as histórias em quadrinhos podem revelar sobre a sociedade na qual são produzidas e consumidas. Este trabalho também tem como objetivo ser o ponto de partida para reflexões sobre como o discurso ideológico dos quadrinhos pode representar uma sociedade, como por exemplo, o momento em que as aventuras de Flash Gordon para serem publicadas na Itália têm que ser reescritas por italianos, em virtude da proibição de Mussollini em 1938 da importação de arte americana, e de modo a não contrariar o discurso fascista, fato este também relacionado à trajetória de vida de Fellini com os quadrinhos.

 Sessão 3

8. Ninguém Conhece o Capitão América: Os diversos discursos de Steve Rogers na História política dos Estados Unidos – Sávio Queiroz Lima

Estudo sobre mudanças nos discursos do produto-personagem Capitão América no mercado de quadrinhos da Indústria Cultural. O artigo analisa historicamente as relações dialogadas entre os discursos presentes nas falas e ações do Capitão América, personagem ficcional de quadrinhos de super-heróis, e o universo mental dos públicos consumidores em estados ideológicos radicais ou liberais. Tece reflexões sobre as ideologias defendidas e as oscilações discursivas em sintonia com a realidade histórica nos espaços sociais e políticos. Transcorre de sua origem pretensiosamente propagandista até os eventos representativos mais interessantes na análise discursiva e as compatibilidades mentais em adequação à realidade histórica de seus consumidores. Foca nas participações em guerras e nas peculiaridades políticas mais relevantes na história dos Estados Unidos da América bem como nas oscilações políticas bipartidárias do Governo. Promove reflexões a cerca de métodos e técnicas em análises a personagens de quadrinhos e as relações dos mesmos com os universos discursivos e práticos.

9. Superman e o (não) problema da fome mundial   – Iuri Andréas Reblin

O presente estudo realiza uma leitura hermenêutica da graphic novel Superman: Paz na Terra, de Paul Dini e Alex Ross, publicada em originalmente em 1999.  A história de Superman: Paz na Terra aborda o problema da fome mundial como missão do Homem de Aço e o fracasso do personagem em resolvê-la, ao menos, em um único dia. Por meio de uma análise a partir da compreensão das narrativas míticas delineada por Roland Barthes, o estudo tem o objetivo de verificar como elementos mítico-religiosos são representados e apresentados na narrativa e como esses elementos são expropriados e reformatados de acordo com a intencionalidade da história.  O estudo indica que a deformação de sentido implícita na narrativa mítica de Superman: Paz na Terrase concentra na moralização da desigualdade social e na naturalização da ordem social tal como dada.

10.  “Chiclete com Banana e o underground tupiniquim”. –  Aline Martins dos Santos

O objetivo deste artigo é analisar a revista Chiclete com Banana, criada em 1985 pelo cartunista Angeli, ou melhor, entender esse produto quadrinístico, os significados produzidos pelo mesmo, a partir da lógica social e do tempo histórico em que foi construído e de sua principal fonte de inspiração: a realidade urbana cotidiana. O exame das Histórias em quadrinhos presentes na revista Chiclete com Banana tem como objetivo identificar a vinculação do conteúdo desse produto cultural à conjuntura histórica de meados dos anos 1980 até 1990. Ou seja, entre as questões internas: as transformações políticas ocorridas entre a ditadura civil-militar e o processo de redemocratização e as mudanças que o Brasil sofre na sua organização social, com crescimento de novos setores urbanos ligados à classe média e os centros urbanos e industriais como principal foco populacional.

GT3 – Arte sequencial e Cultura Pop/ GT6 – Representações de etnicidade na Arte sequencial 

Coordenação: Nobuyhoshi  Chinen (doutorando)/Dr. Amaro Braga

Sessão 1

1. Tirinha: um novo nome para um antigo gênero – Paulo Ramos

Esta comunicação se propõe a expor a mudança terminológica por que passou a forma de se referir a um dos gêneros vinculados às histórias em quadrinhos. Detira, surgiu contemporaneamente o sinônimo tirinha. Ancorados em Ramos (2009, 2011), enxergamos os quadrinhos como um hipergênero, do qual se relacionam diferentes gêneros autônomos, entre eles as tiras cômicas, alvos desta exposição. A apresentação objetiva resgatar usos no Brasil dessa forma de produção. Importadas dos Estados Unidos, país que as popularizou nos jornais diários do começo do século 20, as tiras cômicas tiveram associações iniciais com os quadrinhos em si ou com uma tradução da expressão norte-americana comic strip, comportamento que ocorreu também em outros países sul-americanos.  O passar das décadas e a predominância das histórias humorísticas tornaram a palavra tira uma forma sinônima, que ignorava os demais gêneros afins, casos da tira seriada, da tira cômica seriada e da tira livre. Mais ainda, ocorreu no Brasil um processo de popularização do termo tirinha para se referir às tiras cômicas. Muitos desses registros ocorreram em estudos e publicações do meio acadêmico, entre os quais podem ser citados os livros de Koch e Elias (2006, 2009). Com base em registros físicos e em mecanismos de busca, alguns deles viabilizados pela mídia virtual, procuraremos demonstrar as etapas de surgimento dos termos sinônimos, bem como pretendemos levantar algumas hipóteses sobre os motivos dessa nova nomenclatura. Um deles, talvez o principal, é o interesse recente de pesquisas de ordem textual e discursiva sobre as tiras, algo pouco visto durante todo o século passado no país. Novos olhares lançam novas formas de se referir ao objeto analisado. Não raras vezes, reproduz-se expressão familiar a determinado domínio discursivo, sem se levar em conta o histórico do gênero e da forma como foi popularizado no país ao longo das décadas.

2. Adaptações de quadrinhos para o cinema. Uma onda cultural ou decisão de negócios? – Nobuyoshi Chinen 

O cinema e as histórias em quadrinhos sempre foram alvo de comparação. São linguagens contemporâneas e ambas tiveram origem ou se consolidaram como produtos de cultura de massa, no final do século XIX. Diversos autores se dedicaram a analisar as influências que uma linguagem sofreu de/ exerceu sobre outra, em variados estudos que versaram detidamente sobre aspectos narrativos sobre imagens, planos, tomadas e iluminação. De fato, no decorrer de mais de um século de convivência são inúmeros os casos de adaptação de personagens e técnicas do cinema para os quadrinhos e vice-versa. Nos últimos anos, vem ocorrendo uma febre de adaptações de personagens de quadrinhos, principalmente super-heróis, para o cinema.  Ainda que tais produções esperem atrair os leitores habituais de quadrinhos e fãs dos personagens levados à tela, o principal público visado não é o típico consumidor de gibis, mas o espectador geral, que não tem necessariamente muitos conhecimentos sobre o histórico do personagem. Prova disso é que, ao invés da fidelidade às características e à biografia dos personagens, alguns filmes optam por adotar alterações que tornem o roteiro mais assimilável por pessoas com pouca intimidade com as aventuras dos gibis. O presente artigo se propõe a defender dois pontos de vista. Primeiro, que essa onda tem suas raízes em decisões de cunho basicamente empresarial quando a Editora Marvel mudou de controladores e David Arad assumiu a função de diretor criativo. O segundo é que o motivo dessa tendência ter se mantido não tem razões nostálgicas ou sentimentais, mas puramente tecnológicas, com o advento de novas e revolucionárias tecnologias de efeitos especiais computadorizados que permitem levar às telas as façanhas de seres dotados de superpoderes.

3. Da sedução dos quadrinhos –Marianna Cruz Lima

O artigo pretende abordar aspectos como no mundo contemporâneo o ensino de arte tem sido feito, pois já não contempla  só os códigos dominantes  e a erudição branca europeia. A arte já é algo mais abrangente assim como o sentido de ensinar arte. Uma das premissas que consta nas Propostas curriculares de Arte da Secretaria Estadual de Educação  de Minas Gerais ( SEE- MG 2008), é o proposito de ensinar Arte, pois ele deve possibilitar tanto a apreciação, quanto a reflexão e a elaboração artística. Sendo assim pretende-se mostrar  como o ensino da Arte pode e deve passar pelas historias em quadrinhos, onde os novos e velhos deuses são personificados na figura do super herói, onde os quadrinhos absorvem cada dia mais a cultura pop, trazendo e elevando a arte o cotidiano dos leitores, e proporcionando uma vivencia tanto poética, quanto poietica ( quando usados como ferramenta de trabalho nas salas de aula) para o ensino e apreciação da Arte.

4. As Aventuras e Desventuras dos não-usuários de iPad na primeira  leitura de histórias em quadrinhos com o aplicativo Comixology – Hélio Eduardo de Jesus lopes

Neste estudo é avaliada, sob a ótica da usabilidade e arquitetura de informação, a experiência do usuário na leitura de uma história em quadrinhos no aplicativo Comixology para o iPad, em um grupo de leitores sem histórico de contato anterior nem com o aplicativo, nem com o dispositivo móvel. O estudo consiste na realização de testes de usabilidade (análise da tarefa, avaliação cooperativa e uma técnica baseada no Focus Group), a fim de detectar as boas práticas existentes no aplicativo e verificar possíveis problemas da interface. O foco estará em conceitos serão observados como guessabilitylearnability e findability, importantes referências para avaliação de grupos que enfrentam o momento ímpar de uma primeira experiência numa forma de mídia não-impressa e como eles passam a enxergar essa experiência em uma nova relação com os quadrinhos, agora digital.

Sessão 2

5. Relações intermidiáticas nos quadrinhos Disney – Chantal Herskovic/Akemi Ishihara Alessi

Através da análise de determinados títulos que compõe a coleção Clássicos da Literatura Disney (no Brasil publicada pela editora Abril), este trabalho irá abordar a relação intermidiática entre literatura e histórias em quadrinhos. E pretende mostrar através das paródias elaboradas nessa série, como a linguagem dos quadrinhos e a ideia do jogo podem incentivar os jovens leitores ao hábito da leitura, uma vez que se apropriam do texto literário e fazem uma releitura em outra mídia. As paródias com os personagens da Disney em diversos papeis de obras literárias consideradas clássicos mundiais no Ocidente nos permitem ver a de forma lúdica o personagem Pato Donald como Frodonald, referência a Frodo Baggins ou Tio Patinhas como Scrooge de um Conto de Natal de Charles Dickens, ou mesmo releituras de romances góticos e de aventuras. Estudar a relação intermidiática é uma maneira de perceber como as histórias em quadrinhos podem ser um formato de linguagem interessante para desenvolver a leitura crítica nos jovens leitores quando comparando as histórias e os personagens com outros textos em mídias distintas.

6. Quando as Mulheres tomam a Palavra: Reflexões sobre o Shoujo Mangá  – Valéria Fernandes da Silva

O Japão é um país com um mercado de quadrinhos extremamente segmentado.  Há quadrinhos, ou mangás, como são mais conhecidos, para as mais variadas demografias e com temáticas das mais variadas.  Diferente do que acontece no Ocidente, há toda uma fatia desse mercado destinada às mulheres de todas as idades e, diferente do que ocorre no Ocidente, desde pelo menos a década de1970, amaioria dos autores são também mulheres.   Os mangás voltados para o público feminino são chamados genericamente de shoujo, e hoje é uma espécie de guarda-chuva que abriga desde quadrinhos para meninas em idade escolar até a produção de material para mulheres adultas.   O objetivo desse trabalho é discutir essa peculiaridade do mercado japonês de quadrinhos, as origens do shoujo mangá e como a entrada das mulheres no mercado de produção de quadrinhos pode ser vista como uma forma de empowerment em uma sociedade marcada pela desigualdade de gênero.

7. Sob o véu do preconceito: A as mulheres islâmicas sob o olhar da obra Persépolis. – Luciana Zamprogne Chagas

Ao longo da história que aprendemos, contada pela perspectiva eurocêntrica e colonizadora, que o mundo tem sido dividido entre “Ocidente” e “Oriente”, cujo centro do mapa se encontra no meridiano de Greenwich, província periférica à capital da Inglaterra, maior potência econômica européia durante quase três séculos. Assim, incorporamos esse discurso como sendo universal, o que está longe de se configurar como realidade. Criou-se uma dicotomia entre o Ocidente e o resto, compreendido, literalmente, como todo o mundo que não acompanha o desenvolvimento econômico das superpotências. A generalização trouxe diversos estereótipos sobre povos e culturas. Tratarei aqui apenas dos que foram criados sobre o Oriente. Nesta reflexão, existe um grande parêntese sobre a figura feminina. A condição das mulheres muçulmanas é um tema que costuma ser tão generalizada e estereotipada quanto a ideia que se faz do Oriente. Partindo, principalmente, das reflexões de Stuart Hall e Edward Said sobre a divisão política do mundo entre orientais e ocidentais, juntamente com as noções de hibridação de Nestór Canclini, utilizarei a produção quadrinística da artista iraniana Marjane Satrapi – Persépolis e Bordados – que discute a sociedade iraniana e as mulheres iranianas sob o ponto de vista árabe, em conjunto com o livro da jornalista australiana Geraldine Brooks, intitulado Nove partes do desejo: o mundo secreto das mulheres islâmicas para corroborar as reflexões desses dois autores sobre as percepções deturpadas e hegemonistas que o discurso ocidental possui sobre as mulheres do outro.O propósito final deste ensaio é, portanto, suscitar debates acerca das relações de gênero em uma perspectiva mais ampla e menos eurocêntrica, com foco nas interações sociais e nas particularidades culturais intrínsecas a essa sociedade, ao invés de tentar um comparativo analítico baseado em juízos de valor ocidentais e embasados na perspectiva dos “direitos humanos universais”.

8. Mise en Page: da elaboração do espaço à elaboração no tempo – Jônathas Miranda de Araujo

Esta comunicação pretende explorar aspectos da elaboração das narrativas gráficas partindo daquilo que lhe afasta do cinema. Dessa forma desenvolveremos a ideia de mise en page em oposição a de montagem, conforme sugerida por Groensteen (1999); e propor, não apenas um princípio da produção das histórias em quadrinhos, mas uma pragmática da recepção e leitura. Veremos como a noção de mise en page confere um tensão de leitura entre o espaço da página e os enunciados narrativos; fundando a página como um espaço utópico onde valores e sentido já lhe habitam virtualmente e um espaço tópico capaz de acolher formas plásticas e icônicas que também são investidas de sentidos e valores, configurando um complexo jogo espacial. Precisamos, enfim, confrontar como todo esse investimento de sentido espacial com o desenvolvimento das ações, seja na produção quanto em sua interpretação, afastando a história em quadrinhos da noção de montagem cinematográfica. Nesse ponto conceitos como montagem, decoupage, diagramação, composição e mise en page serão explorados como forma de alcançar um fundamento estável sobre a leitura dos quadrinhos.

Nesse investimento de sentido conferido à organização espacial tentaremos elaborar categorias e conceitos que permitam por as competências sensórias-motoras do leitor como um fundamento simbólico. Assim esboçaremos uma modelo afetivo e tensivo de análise da página a partir da semiótica plástica iniciada por Gremais (1978) e o modelo tensivo de Zilberberg (2006). Pretendemos propor o princípio pelo qual o sentido espacial, experimentado como um desempenho performático, pode estabelecer uma vivência temporal. Assim, oferecer outro argumento contra o senso comum que estabelece a separação das artes do tempo e do espaço que não seja a necessidade de separar o tempo do discurso do tempo objetivo da duração. A proposta é dar atenção à temporalidade da leitura, que é construída por um encontro do texto com o leitor.

Sessão 3

9. Representação Negra nos quadrinhos: propostas para novos paradigmas de criação – João Luiz de Souza Miranda

O trabalho busca, a partir da linha história das histórias em quadrinhos, a presença de personagens negros e a qualidade de suas participações durante os variados períodos históricos analisados.  O artigo busca também, descobrir e evidenciar novos paradigmas para a construção desses personagens e a sua presença dentro das histórias em quadrinhos, a partir de três obras realizadas pelo autor do mesmo, que são “Os braços de Juiz de Fora”, “Sharpeville” e “Valhalla”, em nome de ações políticas contra o preconceito racial e o desmantelamento dos estereótipos pejorativos dos negros dentro da cultura popular.

10. Questões teóricas e metodológicas para uma sociologia da imagem desenhada – Amaro Xavier Braga Junior

A sociologia da imagem tem se desenvolvido muito através do uso de fotografias e do cinema, entretanto, a imagem enquanto desenho tem sido negligenciada nestes estudos. Os desenhos sejam eles ilustrações, cartuns, charges ou histórias em quadrinhos têm um potencial de análise sociológica muito importante. O trabalho se desenvolve no sentido de mostrar um conjunto de abordagens em que os pesquisadores utilizam os desenhos para retratar, descrever ou analisar fenômenos sociais.  Possuem, enquanto veículo de comunicação, a capacidade de escoar funções de representações sociais dos elementos altamente significativos para o processo de socialização dos valores sociais e dos elementos culturais. O artigo apresenta uma análise de bases teóricas e princípios metodológicos da inserção e produção de histórias em quadrinhos, charges e cartuns enquanto veículo de análise da sociologia. Apresenta as principais perspectivas teóricas e metodológicas que se relacionam com a utilização dos desenhos como instrumento para a apreensão de temas relevantes para a sociologia como conflitos de gênero, padrões de sexualidade, pobreza e desigualdade social, além de relações de poder e as leituras sociais feitos pelos agentes produtores e consumidores destes materiais (uma ação social mediada pela imagem).

11. Representações discursivas da vilania: o caso de Eddie Brock em Venon origem sombria – Alex Caldas Simões

Atualmente as pesquisas em arte seqüencial tem se voltado para estudos inter-(ou multi)-disciplinares que conjugam quadrinhos e outras ciências, tais como as ciências sociais, as ciências da linguagem e demais ramos das ciências humanas.  Nessa interseção, ainda é recente o estudo de quadrinho por meio da ciência lingüística, e mais recente ainda os estudos sobre representações sociais nas HQ’s pautados em aportes teórico-metodológicos advindos da Análise do Discurso (AD). Pautados nessa demanda de pesquisa, apresentaremos em nossa exposição a identidade discursiva do vilão Eddie Brock, o Venon das histórias do Homem-Aranha. Como corpus de pesquisa utilizaremos a mini-série Venon Origem Sombria (2008). Como referencial teórico-metodológico nos pautaremos nas pesquisas sobre ethos discursivo e cenografia de Maingueneau (2005) e Amossy (2005). De nossa pesquisa concluímos que estudos sobre a identidade discursiva colaboraram para o entendimento de personagens, suas origens, perspectivas e peculiaridades identitárias. Entender uma identidade discursiva, portanto, é saber identificar ou prever movimentos ou ações de personagens, de modo a torná-las coerentes dentro de sua concepção inicial e história pessoal. Ao analisarmos Eddie Brock, descobrimos um jovem forte, egoísta, carente de atenção e invejoso. Ao que nos parece, estas construções discursivas definem o personagem e tendem a se repetir em outras produções midiáticas que tem como foco o personagem, independente da aventura narrada ou roteirista convidado.

GT4 – Fanzines e HQ: abordagens, criatividade e educação /GT7 – Arte sequencial na escola: metodologias e práticas

Coodenação: Márcio dos Santos Rodrigues (mestre)/ Cláudia Conte dos Anjos/Dr. Gazy Andraus

Sessão 1

1. GIBIOzine: uma revista de divulgação científico-cultural em quadrinhos – Hylio Laganá Fernandes

O presente trabalho apresenta um histórico e reflexões sobre o processo de produção da revista GIBIOzine – uma revista de divulgação científico-cultural em quadrinhos produzida no âmbito da Licenciaturaem Ciências Biológicas da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar Sorocaba. Essa revista foi concebida como um exercício para a prática com linguagens imagéticas no processo de ensino-aprendizagem pelos futuros professores da licenciatura em biologia, focando mais especificamente a linguagem dos quadrinhos. Ao longo dos cinco anos de sua existência e dos dez números publicados houve, além das produções dos licenciandos, a participação de colaboradores diversos, desde estudantes do ensino básico até professores universitários, apresentando uma vasta e variada gama de estilos. Sua aceitação, nos espaços em que é gratuitamente distribuída e encontros que tem sido apresentada, tem sido muito boa, o que denota que além de contribuir para a formação docente dos licenciandos e reflexões sobre a linguagem dos quadrinhos no ensino, opera como veículo de comunicação para divulgação científica e cultural.

2. Fanzinoteca Mutação: espaço educativo e cultural aos zines e suas experimentações – Gazy Andraus

Assim como as bibliotecas, existem no Brasil as Gibitecas (ou HQtecas), que abrigam edições de histórias em quadrinhos. O que pouco se divulga são as Fanzinotecas espalhadas pelo mundo, locais que abrigam os fanzines que são revistas independentes, paratópicas: existem na sociedade sem que necessariamente tenham um lugar “oficial” (pois não visam o comércio editorial). Ao mesmo tempo são atinentes a todos os temas possíveis, com formatos variados e feitos muitas vezes de forma semi-artesanal, necessitando-se apenas de uma fotocopiadora ou impressora. Além disso, podem ser manufaturados em edições limitadas e caprichadas, em que seus produtores/artistas experimentam materiais distintos de papéis, bem como ousam nas diagramações. Os fanzines (ou zines) podem ter artigos, resenhas, críticas, ou então trazer expressões artísticas, como HQ, poesias, ilustrações, contos etc, e ainda uma mescla de arte e textos. Por tudo isso, sua utilização no ensino tem sido uma vertente cada vez mais buscada em todas as áreas da educação, tanto no ensino escolar como universitário. É a essa devida importância que foi criada na cidade de Rio Grande/ RS, a “Fanzinoteca Mutação” – a primeira zineteca física do Brasil. Tal iniciativa integrou uma o “Prêmio de Interações Estéticas de 2009  (Residências Artísticas em Pontos de Cultura), pela Funarte, com o projeto proposto pelo artista veterano Law Tissot, que resgata assim as múltiplas linguagens do fanzine e suas relações com as poéticas visuais da arte-xerox, dando à cidade (e o Brasil) um espaço que abriga fanzines do mundo inteiro, e também possibilita a ocupação por todas as pessoas que desejarem criar seus fanzines, já que lá há uma máquina fotocopiadora à disposição, além de haver pequenos incentivos como cursos de fanzines e outros. Este artigo busca trazer ao meio acadêmico a necessidade de divulgar para a manutenção de tal espaço criativo e cultural a existência dessa fanzinoteca e sua importância disseminadora sócio-educativa.

3. A revista Afro HQ e os direitos culturais dos educandos – Alessandra Ferreira

Diante da necessidade de incorporar no cotidiano da sala de aula as temáticas relacionadas ao estudo da História e da cultura afro-brasileira como parte de um processo bem mais amplo que implica em um redimensionamento da função social da escola enquanto um espaço de convivência e respeito à pluralidade cultural foi que nos reapropriamos da revista em quadrinhos coordenada pelo Professor Amaro Braga, intitulada Afro HQ, por vislumbrarmos nessa iniciativa uma possibilidade de problematizarmos conteúdos carregados de bens culturais materiais e imateriais a respeito das práticas culturais afro-brasileiras despertando assim nas crianças e adolescentes a importância de se valorizar e respeitar conhecimentos, técnicas, costumes e hábitos adotados pelos nossos antepassados e que permanecem sendo reproduzidos por alguns grupos sociais na sociedade contemporânea. Através da análise do conteúdo dessa história em quadrinhos acima retratada buscamos estabelecer relações entre o ensino de História e os direitos culturais dos educandos recorrendo aos seguintes autores Circe Bittencourt, Antônio Flávio Moreira, Tomás Tadeu Silva e Waldomiro Vergueiro objetivando destacar o quanto a seleção do material didático pode contribuir para desenvolver uma identidade étnica positiva junto aos sujeitos da aprendizagem.

 4. Anim(ação) : O Stop Motion como aliado na educação – Renatta de Oliveira Barbosa

Este trabalho é o resultado de um projeto realizado em sala de aula para alunos de Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio do Colégio de Aplicação FIC em Cataguases, MG. Foi apresentada ao corpo discente a técnica “Stop Motion”.

No processo, os alunos assistiram vídeos de animação para conhecerem diferentes técnicas e materiais. Passaram pela observação, criação, sintetização da ideia para roteiro, storyboard e fotografia. O resultado obtido foi a reunião de todas essas animações no DVD Anim(ação), uma coletânea de vídeos que mistura temas como: Meio Ambiente, amor a gentileza.

O presente trabalho pretende mostrar ainda, como a arte sequencial e quadrinhos podem ser aliados no aprendizado do aluno durante o período escolar, desenvolvendo a criatividade, concentração, trabalho em equipe e responsabilidade social, além de ser uma ferramenta que agradou crianças e adolescentes, facilitando a comunicação e o aprendizado. Diante a dificuldade de tempo e falta de materiais adequados, o projeto veio mostrar que, sim, é possível trabalhar animação em sala de aula.

Sessão 2

5. Relato de experiência: a criação da Biblioteca Comunitária do Campinho, na Vila Ideal, Juiz de Fora (MG) – Maria do Carmo Araújo de Oliveira

O presente trabalho baseia-se na experiência da implementação da Biblioteca Comunitária do Campinho, no Bairro Vila Ideal, uma das ações do Comitê da Ação e da Cidadania dos Funcionários do Banco do Brasil, de Juiz de Fora (MG). O projeto incorpora a mudança do assistencialismo para o protagonismo nas ações do Comitê e teve origem na percepção do baixo rendimento escolar, da inexistência do hábito de leitura e de escassas oportunidades de lazer entre crianças e adolescentes da Comunidade. Como voluntários, nossas ações são orientadas pela troca de conhecimento empírico com colaboradores de diferentes áreas profissionais. Assim, nossa iniciativa se espelha na experiência de uma alfabetizadora que, começando por gibis, desenvolveu o interesse de seus alunos pela leitura de outros gêneros. Nossos objetivos incluem o desenvolvimento da leitura e escrita, da imaginação, da emoção. A implementação do projeto teve início com campanhas de arrecadação de livros/gibis. Em 10 de abril de 2011, foi inaugurada a biblioteca, com cerca de 1000 gibis e livros novos e usados. Organizada, na medida do possível, nos moldes de uma biblioteca convencional, com catalogação do acervo, registro dos usuários, controle de empréstimos, a iniciativa também visa ao incentivo à busca de outras bibliotecas na cidade. Inicialmente foram cadastrados 30 leitores, sete dos quais fazem empréstimos regulares. A biblioteca dispõe ainda de pouco espaço físico o que, atualmente, significa um armário, acomodado na residência de uma moradora da comunidade. Aos primeiros gibis – Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento –, foram sendo somados outros, seguindo demanda dos próprios leitores e por novas doações.  Estes também são utilizados em aulas de reforço ministradas por voluntários. Atualmente, três outras crianças, de Leopoldina (MG), também são usuários assíduos. Nossas metas incluem ampliar o acervo, reconquistar antigos usuários e trazer novos, através do exemplo de sucesso dos que aderiram ao projeto e de novas campanhas de conscientização.

6. Diversificando o letramento e os suportes textuais no cotidiano escolar: A importância do trabalho com histórias em quadrinhos na sala de aula – Claudia Conte dos Anjos Lacerda

Há uma questão desafiadora hoje em nossas escolas: a apropriação por parte dos professores de metodologias e dinâmicas diversificadas no processo de aprendizagem dos alunos. Algumas vozes chegam a apregoar que, mediante a ascensão tecnológica do nosso tempo, estamos no século XXI, mas a escola continua no século passado, e alguns mais pessimistas dizem que não saímos da Idade Média. Exageros a parte, não podemos negar que muito ainda temos a avançar no cotidiano escolar para que possamos realmente desenvolver aprendizagens significativas com nossos alunos, que realmente promovam o tão almejado ‘acesso’ a todos, sem distinção, ou seja, que na construção dos saberes, os alunos desenvolvam os vários letramentos que vão abrir-lhes as portas para o mundo.

E é a partir desta questão desafiadora que o Grupo de Trabalho 7 (GT7), do “I Fórum Nacional de Pesquisadoresem Arte Sequencial”, em Leopoldina, MG, propõe discutir as metodologias e práticas escolares para o desenvolvimento da aprendizagem, através do uso de quadrinhos, cinema e outras narrativas seqüenciais no cotidianos escolar e na expansão deste para outros ambientes de formação. Proponho então, entendermos a relevância do trabalho na sala de aula com Histórias em Quadrinho como opção pertinente para o trabalho pedagógico, aliando imagem e escrita fonográfica, abrindo para possibilidades outras de letramentos, rompendo barreiras sociais, culturais, étnicas, de gênero, de idade, etc. Os HQs abrem para a diversidade, rompem fronteiras, derrubam muros, e ampliam nossas possibilidades de ler e escrever o mundo.

7. A edição de histórias em quadrinhos em espaços formais de educação como subsídio didático na sistematização de conceitos – uma tecnologia digital inovadora na contribuição para a inclusão. – Cláudia Kamel/ Moisés Baptista

Atividades lúdicas tais como a utilização de histórias em quadrinhos (HQ) no contexto educacional, podem criar situações favoráveis ao aprendizado, para promover e desenvolver competências cognitivas por meio do processo de conclusão e abstração; além de se constituírem como valiosas ferramentas de ensino. Porém, poucos estudos têm sido desenvolvidos no que tange a utilização deste tipo de literatura em contextos formais de ensino e aprendizagem. Em contrapartida, cresce o número de publicações que se utilizam da linguagem dos quadrinhos para divulgar informações de naturezas distintas.

No presente trabalho apresentaremos os resultados de uma atividade realizada por docentes do ensino fundamental e médio, durante uma oficina de capacitação para a utilização de um editor de histórias em quadrinhos online sobre o tema “Bullying”. O caminho metodológico da oficina supracitada foi constituído de 2 etapas, a saber:

1.  Apresentação de parte de um documentário sobre “Arte Sequencial”, a leitura e discussão de 3 textos de fontes diversificadas;

2. Criação de uma HQ sobre o tema.

Um questionário relativo à aceitação da atividade e o grau de dificuldade para realizá-la foi conduzido aos participantes. Os resultados obtidos neste quesito evidenciaram uma boa aceitação para utilização da ferramenta digital pelos participantes; que poderá também vir a ser utilizada por estudantes, como mais uma estratégia de sistematização de conceitos do currículo educacional formal. Participaram desta atividade, 23 docentes do pólo Educacional de Heliópolis, São Paulo.

8. Quadrinhos on-line: Estratégias de multiletramento na sala de aula – Maria de Fátima Franco

A partir de uma pesquisa realizada com professores de ensino fundamental e médio verificou-se que a leitura/produção de quadrinhos não têm sido utilizadas como estratégia de multiletramento, em situações de ensino-aprendizagem. Este trabalho, além de discutir os resultados da pesquisa em questão, tem como objetivo apresentar, a partir das concepções de multiletramento, situações de recursos para leitura e produção de quadrinhos on-line, que propiciem a alunos e professores a oportunidade de desenvolvimento de atividades  em diferentes conteúdos/disciplinas.

Sessão 3

9. Influência do cinema de comédia no ensino farmacêutico e na construção da imagem do cientista que pesquisa medicamentos – Lêda Glicério Mendonça/ Lúcia deLa Rocque/Francisco Romão Ferreira

Este trabalho aborda o uso de cinema de comédia para auxiliar o ensino de Deontologia e Ética Farmacêutica, que é uma disciplina descritiva e empírica cujo fim é a determinação dos limites legais da atuação profissional. Pelo fato de ela consistir basicamente da leitura e discussão de leis, a maioria dos estudantes não se interessa por essa área. Com a intenção de contribuir para a mudança desse panorama, foi utilizada a análise de filme de comédia como estratégia de ensino-aprendizagem, visando despertar o interesse dos discentes para a Deontologia. Os alunos foram orientados a analisar os filmes como um estudo de caso a ser discutido e solucionado. Essa estratégia foi aplicada no ano de 2011 em três turmas, totalizando 57 alunos. Os filmes analisados foram: “O inventor da mocidade” (1952); “O professor aloprado” (1963) e (1996); “Junior” (1994); “Sem sentido” (1998) e “Fórmula51”(2001). Mesmo que o foco do trabalho seja o uso pedagógico do cinema no contexto da Deontologia, a questão da representação social do cientista que pesquisa medicamentos em todas as tramas surge, já que esse personagem nunca é retratado como mulher farmacêutica. No entanto, documentos legais e dados estatísticos da Federação Nacional dos Farmacêuticos dão conta que essa atuação é legítima do farmacêutico e que as mulheres já constituem a maioria dessa categoria. Dessa forma, o objetivo deste trabalho, além de contribuir para tornar a Deontologia mais palatável ao aluno, é avaliar como o cinema concebe a imagem desse profissional, criando estereótipos, e também discutir os rumos, os conflitos e as perspectivas da própria profissão, ressaltando que a mulher está ocupando, cada vez mais, uma fatia considerável desse mercado.

10. A produção cinematográfica como instrumento de preservação da história e o uso do cinema no ensino de história regional: Piacatuba e o curta “A força da fé”, um exemplo prático. – João Paulo Pereira de Araújo

O uso do cinema no ensino da história reflete uma tendência crescente, ainda que combatida nos corredores da história. O filme, enquanto testemunho de seu tempo e do tempo ao qual se refere, pode ser considerado como uma fonte de relevante destaque na análise histórica. Sua função pedagógica, o torna um valioso material didático a ser utilizado em sala de aula. Porém, no que se refere à história regional a realidade é caótica quando se deseja trabalhar com audiovisual em função da ausência de material, principalmente em lugares onde ainda não existe fomento para a produção cinematográfica. Em raros casos podemos encontrar esse material e utilizá-lo em sala de aula como é o caso de Piacatuba, distrito de Leopoldina com apenas 800 habitantes. Em 2007, por iniciativa de alguns jovens, que movidos pelo intuito de preservar a história e a memória do lugar produziram um documentário relatando a formação do vilarejo ainda no século XIX. Além de esse material ter tido fundamental importância para a preservação cultural e histórica do distrito, auxiliou de forma efetiva na didática do ensino de história regional nas salas de aula da escola do distrito. Utilizado como fonte secundária, o curta-metragem “A Força da Fé” é um exemplo prático a ser analisado em nossos estudos. Assim, este estudo pretende fazer uma análise da importância da produção cinematográfica para a preservação da memória e da história de um povo, ao mesmo tempo em que busca avaliar a relevância do uso do cinema no ensino de história regional através do exemplo prático vivenciado na comunidade de Piacatuba.

11. Análise da adaptação da obra Memórias póstumas de Brás Cubas para história em quadrinho como ferramenta de aproximação do público jovem – Júlio César Alessi Lafetá/Akemi Ishihara Alessi

O presente artigo tem como objetivo analisar a adaptação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis (1881) para a história em quadrinhos, realizada por João Batista Melado e Wellington Srbek (2010), como instrumento de educação no intuito de aproximar os jovens estudantes à literatura clássica. Esse tipo de adaptação está sendo utilizada em vários clássicos da literatura e teatro, tornando tais obras mais acessíveis ao público. Foi realizada uma análise através das teorias da intermidialidade de forma comparativa, para demonstrar as particularidades de cada linguagem, literatura e história em quadrinho, na representação da obra proposta.

12. Quadrinhos nos livros didáticos de língua materna: breve incursão histórica (década de 1970) – Márcia Rodrigues de Souza Mendonça

O objetivo é apresentar uma análise histórica da introdução dos quadrinhos, especialmente HQs, em livros didáticos de língua portuguesa (LDPs) do EFII (5a a 8a série), na década de 1970. As bases teóricas contemplam os referenciais sobre ensino de Língua Portuguesa atuais e anteriores (PCN LP EFII, Brasil, 1997; OCEM 2006) e estudos sobre ensino de língua portuguesa (ANTUNES, 2002; RAZZINI, 2001; SOARES, 1998), livros didáticos (BUNZEN, 2005; LINS, 1977; BELMIRO, 2000); teoria da comunicação (JAKOBSON, 1973), gênero (BAKHTIN, 2002), gêneros e ensino de língua materna (DOLZ e SCHNEUWLY, 2004; ROJO, 2009). Pretende-se mapear essa inserção, identificando se o foco são as HQs como objeto de leitura, de estudo ou de ensino, assim como as implicações desse processo de didatização. No contexto da área de Comunicação e Expressão, paradigma vigente à época após a Lei no 5692/71, os resultados preliminares apontam para uma dupla função dos quadrinhos nos LDPs do período. A ênfase maior recai na consideração dos quadrinhos como objeto de estudo, exemplificando uma “nova linguagem”, atrelada à dinâmica da cultura de massa, cujos movimentos e princípios se aproximam, naquele momento, da escola, ocasionando grandes modificações na seleção de textos para leitura e nos conteúdos de análise linguística. A segunda função da inserção dos quadrinhos nos LDPs foi servir como objeto de leitura, mas cuja exploração centra-se mais nos aspectos semióticos. Estes tratavam daquela “linguagem” recentemente incorporada à antologia escolar, buscando desvendar para o aluno as “chaves de leitura” dos códigos ali implicados. Dessa forma, o tratamento dos quadrinhos sob uma perspectiva de gênero, nesse período, não se constitui tendência dominante nos LDPs, já que seus usos sócio-históricos, suas temáticas, sua composição e seu estilo, interligados, não constituíam o cerne das preocupações pedagógicas reveladas nos LDPs.

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